domingo

Governados pelo Medo


Vivemos subjugados pelo medo. Medo do bug do milênio, da doença da vaca louca, de alimentos genéticamente modificados, do câncer, da violência urbana, de perdermos o emprego e de não sermos reconhecidos. Vivemos a "era dos temores".

São com estes questionamentos que Zygmunt Bauman, autor do livro Medo Líquido, instiga a reflexão sobre porque o medo se tornou um problema crônico social.

Segundo o autor, "os medos estão agora difusos, espalhados e indefinidos. Isto é o que os torna tão assustadores e de difícil eliminação. Essa característica "líquida" do medo o transforma em capital político e comercial - que os políticos e as empresas estão sempre tentados a reverter em algo lucrativo."

No livro, Bauman não aponta soluções, mas cumpre seu papel de provocador de discussões e reflexões.

Em matéria publicada em 27/01/08, no jornal O Estado de S. Paulo, Bauman explica um pouco sobre como o medo social está relacionado à sensação de insegurança que rege mercados e relações sociais. "Ninguém parece ter controle sobre os perigos invisíveis que nos ameaçam".

Na entrevista, Bauman explica como a sociedade ministra a convivência com o medo e quais os fatores que, historicamente e hoje, gerem esta "era do medo".



Um pouco mais sobre o Bauman:

Zygmunt Bauman é um dos sociólogos mais respeitados da atualidade. Com extensa produção intelectual , tem se destacado como um dos pensadores mais clarividentes do nosso tempo. Professor emérito de sociologia das universidades de Leeds e Varsóvia, Bauman tem, no Brasil, 13 livros publicados pela editora Zahar. Entre eles, os que se destacam mais são: Amor Líquido e Globalização: As Conseqüências Humanas.

Bauman desenvolveu o conceito de uma sociedade "líquida", partindo do princípio de que as certezas e a previsibilidade do futuro estão diluídas e, porque políticos e empresas tendem a lucrar com isso, não há perspectiva de que esse clima de insegurança seja sanado. "Pelo contrário, os governos e os mercados têm interesse em manter esses medos intactos e, se possível, aumentá-los."

Nenhum comentário:

Postar um comentário