sexta-feira

Você tem medo de que?

Fotos e texto: Mayara Locatelli

Trago algumas fotos e procuro os medos, do "tolo" ao único.
"O medo tem alguma utilidade, mas a covardia não. O medo é a maior das doenças, porque paralisa o corpo e a mente. Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas, nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite".
Clarice Lispector


Harpaxofobia: medo de estar sendo roubado / hoplofobia : medo de armas de fogo .



Hipsifobia: medo de altura.





Estaurofobia - medo de cruz ou crucifixo.






terça-feira

Medos infantis no Cinema

por Bruno Manenti e Liz Khury

Um dos principais focos ao se produzir um roteiro cinematográfico é a intenção de produzir algum tipo de sentimento no espectador. Seja o amor, o espanto ou a alegria, os filmes fazem as pessoas terem diferentes reações ao que vêem. Os filmes de terror buscam o medo e o susto de que os assiste, o “frio na barriga” seguido do alívio de não estar naquela situação. Às vezes relacionado ao fantástico (como “madrugadas dos mortos” com zumbis e “Cloverfield”, com monstros, por exemplo) ou ameaças reais (com assassinos, como em “Sexta-feira 13”).

Depois de passar anos em filmes para adultos, o medo invadiu as produções infantis. Desenhos animados que usam elementos fantásticos para causar terror em crianças tornam-se cada vez mais comuns e aclamados pela crítica.

Esta associação já existe em outros campos há vários anos. Histórias em quadrinhos, como as do personagem Penadinho, de Mauricio de Souza, apresentam monstros clássicos do horror (vampiros, fantasmas, a criatura de Frankenstein...) como figuras simpáticas em situações cômicas, o que o criador chama de “terrir”, um “terror que faz rir”. Nos Estados Unidos, As histórias para adultos dos “contos da cripta” deram origem a um desenho animado para o público infantil. Já a coleção de livros “Goosebumps”, de R. L. Stine, já era destinada ao público infantil e deu origem a uma série de TV.

No cinema, um diretor que traz esses elementos para o universo das crianças é Tim Burton. O primeiro filme infantil e primeiro longa-metragem do diretor, ainda que não tratasse do medo, foi “A grande aventura de Pee-wee” (1984). Antes disso (1982), dirigiu alguns curtas; um deles é Vincent, sobre um menino fã de Edgar Allan Poe, que já apresentava conteúdos sombrios.

Mas Burton seria reconhecido, pelos seus traços mais característicos, em 1988, com “Os fantasmas se divertem”, com o personagem Beetlejuice. O filme fez tanto sucesso que deu origem a uma série animada infantil para televisão e garantiu à Burton a direção de “Batman” e à sua continuação, “Batman Returns”. Entre os dois, ele fez “Edward mãos-de-tesoura”, mais um sucesso e início da parceria com o ator Johnny Depp.

Criou os personagens e a trama, apesar de não ter dirigido, “O Estranho Mundo de Jack” em 1993, um dos filmes mais emblemáticos de sua carreira. O personagem do título em português (o nome original do filme é “The Nightmare Before Christmas”) vive no mundo do Halloween e se apaixona pelo Natal, decidindo ajudar o Papai Noel a distribuir presentes. Pela trama, o longa animado era destinado ao público infantil, mas acabou conquistando muitos adultos também. Os produtos surgidos em torno do filme, encontrados até hoje em lojas, como camisetas, mochilas, cobertores e chaveiros, provam o sucesso de “Jack”.

Um remake de “A fantástica fábrica de chocolates” depois, com outros sucessos pelo caminho, Burton volta ao stop-motion de bonecos usado no “Estranho mundo de Jack” para contar “A noiva cadáver” (2005), uma história russa do século XIX.

Foi com as produções de Tim Burton que os estúdios perceberam o quanto poderiam ganhar explorando este lado da animação: o medo das crianças. Assim, a Disney saiu com “Mansão Mal-Assombrada” em 2003 e a Sony, com “A casa monstro” em 2006. Para 2010, Tim trará “Alice in Wonderland”, uma adaptação de “Alice no país das maravilhas” com o seu próprio visual.


quinta-feira

"Eu precisava ser encantadora. Já era o medo, mas esse medo me estimulava a amar o próximo, ou melhor, a fazer com que o próximo acreditasse nesse amor. Recebia em troca um juizo favorável e era nesse juízo que me sustentava. Estava aí a resposta a pergunta de Margarida, o que eu ganhava com isso? Essa unanimidade de opiniões e que beirava a admiração"
(Lygia Fagundes Telles. O Espartilho)

domingo

Fotos - Mariana Alves 2

Fotografias: Mariana Ribeiro Alves


Experiências do próprio medo.



Fotos - Mariana Alves

Fotografias: Mariana Ribeiro Alves


O medo urbano pode gerar maior número de carros: nós temos medo de andar na rua durante à noite, ainda mais sozinhos. Não há comunicação com os que estão dentro do carro, e aqueles que estão na rua; o que acarreta a solidão, a sensação de abandono - sensação esta muito semelhante ao efeito do computador.
(se eu não me engano, a idéia foi tirada do livro Morte e Desenvolvimento Humano, da Maria Júlia Kovács".)











"Olhou para a porta da rua, ouviu o silêncio daquela pequena casa nesse escura da madrugada e sentiu um fiapo de medo pelo solidão, não a da vida inteira, mas a daquele momento preciso, assim só, num espaço perdido nas Mercês, com a filha no quarto e sem um homem comigo, e era como se voltasse à cabeça cada vez mais freqüentemente o terror do assalto. Isso é um lugar-comum, ela pensou, defensiva, como quem escreve literatura, mas o fiapo do medo continuou ali".
Cristovão Tezza; O fotógrafo.




"Acho que me apeguei àquele silêncio, e a fim de prolongá-lo me recolhi ao quarto, onde passei o resto da noite olhando para o teto."
Chico Buarque.








"Mas atravesse o escuro sem medo"
Vinícius e Toquinho.









"A morte do outro: o medo do abondono, envolvendo a consicência da ausência e da separação.
A própria morte: a consciência da própria finitude, a fantasia de como será o fim e quando ocorrerá".
Kastenbaum

segunda-feira

Fotos


Fobias
Laura Schafer
Analívia Costa
Flávia Pontarolla

Claustrofobia

Medo de altura





Sugestão de fontes para pintura.
www.markryden.com
faz o uso de imagens inocentes para mostrar diferentes tipos de medo e aversão.

domingo

Medo Urbano


Medo urbano se destaca na incerteza, insegurança, sofrendo variações. O medo está tão fundido em nosso cotidiano que não mais o identificamos como tal. O receio do amanhã, da falta de proteção, capacidade, adequação. Um medo alimenta o outro, e sua difusão acontecem por todos os meios. O medo na atualidade é manipulado, e quem sofre se deixa manipular, acreditando em quem lhes promete extrair o pavor que engloba suas vidas.


Um diário

Ela não tinha medo de viver. Não que sua vida fosse um mar de rosas, não. Mas ela sempre tentava ver o lado bom das coisas. Usando o humor conseguia transformar a carranca de qualquer um num belo par para acompanhar seu sorriso.

Ninguém mais usa preto no velório, só nos filmes. O dia estava nublado, mas todos usavam óculos escuros. Em todo lugar em que olhava via alguém, seja sozinha ou em grupo, encolhido, como se o peso da perda fosse demais.

Ela não era a melhor ou a mais dedicada, simplesmente era. Adorava dançar, sair com os amigos, namorar. Ela tinha um namorado, mas não me lembro dele antes, só depois.

Ela morreu. Morreu, morreu. Ninguém parecia entender isso, ou quem sabe entendiam demais.

A maioria era jovem, ela tinha bastantes amigos. Todos choravam. Choveu lágrimas em seu caixão.

Tropeçou, simples assim. Ela tropeçou na calçada e o carro bateu, na cabeça. Foi para o hospital, e morreu.

Pai, mãe, irmão, toda uma família com medo, de viver sem ela. Não sei o que aconteceu com eles depois , tive medo de perguntar, da resposta.

Eu não tenho medo de morrer. Tenho medo de tropeçar e morrer, assim como ela.


Maria Clara

segunda-feira

Os medos

Para descobrir os medos que fazem parte do cotidiano, fizemos uma enquête com cerca de 1200 pessoas, via Orkut, em maio de 2008, ano de inicio do nosso projeto. A pergunta – você tem medo de quê? permitiu a identificação de alguns medos comuns à maioria dos consultados: em primeiro lugar assalto, depois violência e solidão.
Considerando, que o assalto é um tipo de violência e avaliando o número significativo de respostas semelhantes (medo de estupro, tiro, bandido, andar no centro da cidade, andar de carro sozinho), é possível dizer que a violência é o medo que acompanha o dia a dia da maioria.
Também é recorrente o medo da solidão – em alguns casos, a solidão que pode vir com a velhice e a solidão com o abandono, em geral também presente com o medo do envelhecimento.

Olhar para o medo da cidade

Ao pensar o medo na cidade, a primeira imagem é a da violência, representada por assaltos, acidentes, homicídios, suicídios. Em seguida, aquilo que permite visualizar o medo dos habitantes de uma cidade fragilizada pela violência e que procuram a proteção de seus castelos – como nos tempos medievais, quando as pontes levadiças e as muralhas eram a defesa contra o ataque inimigo, a cidade do século XXI protege-se por meio de construções de concreto; mesmo assim, é uma cidade que nao se sente menos indefesa.
Assim, os edifícios têm instalados alarmes, sensores e câmeras de vigilância 24 horas (às vezes a câmera placebo – a simulação da vigilância) e as casas, além desses recursos, são cercadas de muros altos, portões eletrificados e janelas gradeadas – é preciso afastar o invasor em potencial que, em tese, pode ser o vizinho.
Mas o ato de cercar a residência, por essência o seu espaço privado, é uma das formas que os indivíduos encontram para reagir ao medo, no mundo contemporâneo. Isso leva a uma espécie de privatização do cotidiano – é possível estudar, trabalhar, divertir-se, tudo em casa e frequentemente com um computador à frente.
Assim, ao privatizar a sua rotina, o cidadão vai deixando de viver a cidade como espaço de socialização e, com isso, uma parte do ser cidadão.

domingo

Ainda Whisky - outra leitura, por Ana Paula Cardoso

A vida de Jacobo se resume a administração da sua pequena fábrica de meias no Uruguai. Sua expressão é apática, e o mesmo acontece com a sua fiel funcionária Marta. A estada do irmão que mora no Brasil abala o pequeno empresário que pede a funcionária que se passe por sua esposa.
A câmera fixa é utilizada em todas as cenas do filme e ajuda a demarcar a monotonia e a rotina cansativa dos personagens. Não há movimentos de câmera em sequer uma cena, o mais próximo que os diretores chegam disso é no inicio e meio do filme quando Jacomo dirige o seu carro. O carro está em movimento, porém, a câmera continua estática. Plano detalhe de objetos como o relógio de parede e o sanduíche pela metade também acrescentam valor e enfatizam a solidão dos personagens. Os cortes de edição são secos, sem efeito de transição. Em relação à direção de arte, tons pastéis e muito azul no filme, principalmente nos elementos de Marta, apresentando cores fortes em pequenos detalhes, como no vaso de flor e na roupa vermelha que a solitária mulher usa enquanto o irmão está hospedado. Como efeito final, a trilha sonora instrumental trabalha a agonia do espectador transmitindo a sensação de solidão de Jacomo e Marta, que por um segundo parece diminuir.

Ficha Técnica
Título Original: Whisky
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 94 minutos
Ano de Lançamento (Uruguai): 2004
Estúdio: Control Z Films / Rizoma Films
Distribuição: Global Film Initiative
Direção: Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll
Roteiro: Gonzalo Delgado, Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll
Produção: Fernando Epstein
Música: Pequena Orquestra Reincidentes
Fotografia: Bárbara Álvarez
Direção de Arte: Gonzalo Delgado
Edição: Fernando Epstein

Uma leitura de Whisky, por Giana Andonini

O filme conta a história de três pessoas, que apesar de próximas, são desconhecidas. A história passa em Montevidéu onde Jacobo, um homem solitário de meia idade (estrelado por Andres Pazos) possui uma pequena e em más condições fábrica de meias. Marta (estrelada por Mirella Pascual) é uma mulher também solitária que trabalha na fábrica de meias de Jacobo como sua supervisora. A relação dos dois é silenciosa, como muitos momentos do filme, e também pode ser descrita pela palavra inércia. Inércia porque ela é repetitiva e rotineira, e os diretores Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll conseguem muito bem traduzir este sentimento de dia após dia igual ao anterior com os enquadramentos e movimentos utilizados.
A relação entre Jacobo e Marta é abalada* quando o irmão de Jacobo, Herman que vive no Brasil viaja a Montevidéu para participar da matzeiva de sua falecida mãe, uma celebração judaica para a colocação da pedra do túmulo em até um ano após a morte de uma pessoa. Herman, que também possui uma fábrica de meias, mas mais bem sucedida que a de Jacobo, não retornava a terra natal há 20 anos. Ele também não havia ido ao enterro de sua mãe no ano anterior, a qual Jacobo havia cuidado todo este tempo que estava doente. O filme dá a entender que a relação entre Herman e Jacobo é fria e desconhecida.
A visita de Herman desperta em Jacobo a velha competição existente entre os irmãos, que faz com que ele faça a Marta uma proposta inusitada, mas que no filme é realizada de uma forma bem discreta: que ela seja sua esposa durante a visita de Herman. Marta aceita a proposta, também de forma discreta. Ela passa então a morar alguns dias no apartamento de Jacobo.
Durante a estadia de Herman, Marta vai se mostrando um pouco mais aberta e deixa claro que fora daquele ambiente inerte em solidão que a fábrica de Jacobo representa, ela não é tão solitária, mas sim apenas sozinha e reservada, e a partir disto mostra que está gostando daquela encenação. Já Jacobo deixa claro a distância existente entre ele e o irmão, e também mostra como a solidão o tornara uma pessoa constantemente cíclica, imerso na repetição da sua rotina, assim como as roldanas do maquinário dos fios de sua fábrica.
Já Herman se mostra mais falador e age como se não houvesse esta tamanha distância entre o irmão e a “cunhada”, que na verdade são três pessoas muito desconhecidas e distantes representando três pessoas também distantes, mas conhecidas.
O ápice da revitalização demonstrada por Marta acontece quando o fictício casal é convidado por Herman para uma viagem a uma cidade litorânea na qual ele e o irmão costumavam passar as férias quando criança, a cidade de Piriapolis. Piriapolis, assim como todo o clima do filme, também é mostrada como vazia, como o vazio das cidades que já foram badaladas anteriormente e hoje estão decaídas. É uma mistura de clima da ostentação antiga com o vazio atual. Na viagem, Marta acaba se identificando bastante com Herman, que é animado e comunicativo, exatamente o oposto de seu irmão Jacobo.
O título do filme – Whisky – “representa uma fina ironia da necessidade que os personagens, especialmente Jacobo, têm de fingir uma felicidade inexistente” (retirado da sinopse – www.adorocinema.com.br). A palavra Whisky (pronunciada como Uíque) é como a expressão “xis” que aqui no Brasil falamos para sairmos sorrindo nas fotos. No filme, a expressão, que carrega todo o significado e sentido da história, é apresentada em dois momentos que merecem ser destacados. O primeiro é a foto em que Jacobo e Marta tiram para colocar em um porta-retrato, para que quando Herman chegasse a foto no balcão da sala servisse como “prova” do “casamento”. O segundo momento é quando os três estão em Piriapolis e tiram uma foto “em família”. O sorriso (ou whisky) dessa foto em família concentra todo o sentido de filme: três pessoas totalmente desconhecidas, mas que ao fim são uma família, tentando fingir uma felicidade que não existe.
Ao final do filme, Herman e Jacobo retornam a suas rotinas, Herman volta ao Brasil e Jacobo à solitária rotina de sua fábrica de brindes. A surpresa no final está no dia seguinte ao término da “farça”, em que Marta, que sempre já estava em pé esperando Jacobo chegar, não vai para o trabalho. É a mudança de alguém que experimentou algo melhor e aceita a mudança.
A temática medo é apresentada no filme de uma forma bem sutil, relacionada a vivência da solidão. O medo em si não é representado no filme, mas aparece sim como uma espécie de provocação ao espectador, provocando o medo da solidão, da rotina constante e do medo de mudança.

sábado

Medo – Violência – Mal

Alguém falou que tem medo da maldade do Outro.
Partindo daí, dá pra entender que, por trás do medo da violência está o medo da maldade. Do Mal.
Medo – Violência – Mal...
Pensemos neles como signos de contemporaneidade, cuja representação pode-se encontrar no noticiário do dia a dia, na Arte ou na Literatura. Nesta, encontramos Shakespeare, que tão bem expôs a condição humana em suas peças. As tragédias, especialmente – como Otelo, Rei Lear, Hamlet e Macbeth, mostram situações de maldade, inveja, ambição...na Renascença, como no século XXI, é possível explicar o Homem pelos seus sentimentos e atos mais deploráveis.
Macbeth, um dos textos shakespearianos mais cruéis, mostra o tormento causado pela ambição, bem como o Mal representado na ausência de limites, que desemboca em violência.

Quando filmou a peça, no começo dos anos setenta, o polonês Roman Polanski foi bastante fiel ao original, criando um ambiente medieval. No filme, o sentido da violência está também expresso na idéia da ruptura de limites. Como em Shakespeare, o Macbeth de Polanski perde o limite. E Polanski não tem pudor ao usar a crueza das cabeças decepadas, como quando Macbeth é morto, evocando o espírito da Idade Média, a violência como condição de vida. A diferença é que, na Modernidade, era da civilização, a violência tem um outro sentido.
Aqui, ela é natural e sedutora. O espetáculo da violência hipnotiza, como se percebe por meio de inventos dos tempos modernos, como a televisão. Síntese de vida e a morte, a violência seduz, num espetáculo que recria a história do homem desde o começo dos tempos. Em segundos, podemos estar mortos e essa imprevisibilidade fascina e atormenta.

terça-feira

Resenha sobre medo

O medo como objeto de estudo pode ser observado de várias formas. Antigamente ele se resumia as justificativas divinas, como o medo do pecado e de sua punição. Já hoje é possível observar três principais tipos na sociedade. O medo do sobrenatural abrange temas como a morte e o além. No entanto, acima de tudo esse tipo de medo está relacionado com o desconhecido. O individuo só teme a morte por não saber o que ocorre depois. Assim como o medo de espíritos, bruxarias e extraterrestres (todos tão bem representados nos filmes), afinal não existem provas concreta da existência deles ou como funcionam. Enfim, não são coisas palpáveis ou comprovadas cientificamente, logo, são desconhecidas e inexplicáveis pela razão humana. Existe também o medo das catástrofes naturais, apesar de muito menos presentes, existem por causa da superexposição do aquecimento global pela mídia. Esse tipo de medo não ocorre por ser inexplicável já que são coisas palpáveis, mas sim por serem, em sua grande maioria, inevitáveis e causarem mal em larga escala. O individuo no entanto, só terá consciência desse medo quando for atingido por algum desastre natural. O medo da violência é muito mais visível e palpável que os dois anteriores. Por estar mais presente na sociedade e esse medo é o mais combatido, seja com projetos políticos para conte-la, seja com grades nas janelas das casas ou ainda evitando passar por certos lugares ao anoitecer. A violência não precisa de comprovação cientifica para todos saberem que existe e sua proximidade do individuo não varia de acordo com sua classe econômica.
Os medos expostos acima são apenas três de vários tipos, mas os mais fáceis de serem observados, pela proximidade e pelas conseqüências que são vistas em nosso próprio dia-a-dia.

Rosane Cristina de Sousa

segunda-feira

A pastoral do terror

A pastoral do terror

O historiador Jean Delumeau desenrola o fio que nos une a um passado de medo e pecado
Mary Del Priore
Historiadora e autora de O mal sobre a terra: uma história do terremoto de Lisboa de 1755

É possível fazer a história das inquietações humanas? A resposta, quando se trata de Jean Delumeau é: sim. Para o leitor interessado não apenas em história, mas em teologia, em literatura, em arte, este historiador que ocupou durante 20 anos a cadeira de História das Mentalidades Religiosas do Ocidente Moderno, no Collège de France, é um prato cheio. Brilhante, é o mínimo que se pode dizer de um pesquisador que se tornou conhecido do grande público por suas excepcionais sínteses sobre os sentimentos de medo e culpabilidade - caso deste clássico que é o Pecado e o medo - mas, também, sobre a necessidade de proteção, esperança e felicidade, da Idade Média aos nossos dias. Sua peculiaridade? É que para além de um escritor fenomenal, um pesquisador rigoroso e historiador de apetite infinito, Delumeau é, também, um militante. Militante engajado de um cristianismo ecumênico e tolerante, em terras onde a razão e a laicidade fizeram sua morada.

Esta viagem intelectual pela história do medo começa com seu primeiro livro, História do medo no Ocidente. Onipresente, o sentimento se materializou, graças, sobretudo, a satã, cujo retrato a Igreja cuidadosamente consolidou até chegar aos minuciosos tratados de demonologia publicados entre os séculos 16 e 17. Neles, o demônio e seus acólitos - a mulher, o judeu, o muçulmano e a bruxa - são pintados com todos os detalhes. Neste belo O pecado e o medo, baseado no método da história regressiva, o historiador desenrola um fio que tem na culpa e no pecado sua trama. Segundo o autor, uma verdadeira ''pastoral do medo'' - como a intitula Delumeau - colocou em ação a máquina de conversão que adestrou as populações no Ocidente cristão, entre os séculos 13 e 18. Nesta pastoral, o sermão - que se ouvia chocalhando os dentes - fustigava os pecados capitais e veniais, acordando um lugar privilegiado ao inferno. A finalidade era a de aterrorizar os fiéis para o ''seu bem'', encaminhando-os às vias da salvação, sob a ameaça de castigos ao mesmo tempo terríveis e eternos.

Inspirados em sua maior parte no Apocalipse de São Paulo, que esmiúça os suplícios do Além com riqueza de pormenores, tais idéias irão reverberar na iconografia infernal, iconografia florescente na pintura, na escultura e na recém-inventada imprensa. Tão ou mais cruéis do que as realidades penais da época, os suplícios eram cantados em prosa e verso: os do fogo, que seguiam raros na prática jurídica, e os do frio, que não existiam na realidade. Assistiu-se, então, ensina Delumeau, à eclosão de um trabalho de imaginação sem precedentes, em que todas as metáforas, imagens e associações serviam para dizer a dor de morrer em pecado. As punições infernais, por exemplo, tinham que atingir os cinco sentidos, ferir a pessoa inteira e corresponder à natureza dos pecados cometidos. A partir daí, artistas e pregadores criaram uma gama infinita de castigos corporais, na maior parte inspirados em suplícios públicos. Vejamos o exemplo extraído de uma gazeta de 1603: um criminoso é esfolado vivo com alicates em brasa, tem um mamilo arrancado e é, depois, decapitado e queimado. Em outra execução, enterram uma estaca pontuda no ânus do condenado, enquanto suas partes pudendas se carbonizam com fogos de artifício.

A pregação sobre o fim último, o julgamento final e a passagem pelo fogo do inferno revirava de tal forma as tripas dos fiéis que, tão logo terminava a missa, eles corriam ao confessionário para pedir perdão pelas faltas cometidas. Nestas representações, o inferno estava povoado por demônios. A idéia corrente entre teólogos era a de que existiam tantos anjos da guarda quanto diabos tentadores. Conseqüentemente, os infernos descritos entre os séculos 16 e 17, além de comandados pelo grande satã, regurgitavam de criaturas demoníacas a revirar com tenazes pecadores em caldeirões de excremento e fogo. Tal idéia, por sua vez, era também onipresente na iconografia, nas concepções populares e no discurso religioso. Ouçamos, para ficar num outro exemplo, parte do sermão do célebre jesuíta Paolo Segneri:

''O fogo fará sozinho o serviço de todos os carrascos e ocupará o lugar de todos os suplícios que se poderia acrescentar. Ele fará sentir ao mesmo tempo o ardor dos braseiros, o frio dos gelos, a picada das serpentes, o fel dos dragões, os dentes dos leões, a violência das torturas, o desencaixe dos ossos, as chuvas de pedras, os dilúvios de chibatadas, os garrotes, as algemas, os pentes de ferro, as forcas, as rodas, ele reunirá, ele juntará tudo isso.''

Perguntado, certa vez, se haveria relação entre o medo do pecado e a história de nossas inquietudes, Delumeau respondeu que a humanidade tem um sentimento de justiça que só se compreende por meio da idéia de inferno. E que a necessidade de explicar o inexplicável e de encontrar compensações para as injustiças sociais é característica dos momentos de crise e desestabilização. A proliferação de discursos sobre o pecado e suas penas é, portanto, marca dos séculos 14 a 16, correspondendo justamente ao nascimento da modernidade. Tal parto se insere num clima difícil, feito de numerosas pestes, guerras civis, guerras de religião e invasões turcas que agudizavam a sensação de injustiça e instabilidade. Ao contrário do que muitos especialistas pensaram, a modernidade e mesmo o Renascimento não teriam se produzido num clima de euforia, mas de crise, lágrimas e terror.

Na obra extraordinária que é O pecado e o medo, Delumeau conduz, com paixão e competência, o leitor por quase cinco séculos de história por temas como o desprezo do mundo e as danças macabras, o exame de consciência e a confissão obrigatória, os tipos de pecado, o deus com ''olhos de lince'', a predestinação. Os cuidados da editora com a apresentação em dois volumes e a ótima tradução de Álvaro Lorencini, além do prefácio especial do autor para os leitores brasileiros, valorizam a obra. Senhor de uma narrativa objetiva, apoiada em notas de rodapé que só confirmam sua imensa erudição, Jean Delumeau nos oferece um livro admiravelmente bem construído, que explora, como nenhum outro, as inquietações de nossos antepassados frente à culpa, o medo, o pecado e o inferno. Correntes de informações, dados e documentos históricos aí se cruzam, se entrelaçam, se imbricam, mas, contrariamente às almas pecadoras, neles o leitor jamais se perde.

JB On line - São Paulo, 27 de dezembro de 2003

domingo

De onde vem seu medo?

Todos sabemos que o medo é uma reação protetora e saudável do ser humano. O medo "normal" vem de estímulos reais de ameaça à vida. A cada situação nova, inesperada, que representa um perigo, surge o medo. Mas e quando tudo tem causado medo e não conseguimos agir?
Todo mundo teme algo - assaltos, aviões, doenças, dentistas, solidão, entre outros. Claro que a intensidade do medo será intensificada pelo histórico de vida de cada um. Portanto, diante de nossos pavores, só nos restam duas alternativas: lutar ou fugir.
Em princípio, lutar pode ser uma reação positiva. Isso não quer dizer que fugir seja uma reação negativa. Tudo depende da situação, é preciso reconhecer os próprios limites. Quando há uma situação de ameaça real a sua vida, o medo não é uma reação patológica, mas de proteção e autopreservação.
O mesmo não acontece quando estamos sob o domínio do pânico e o medo passa a tomar conta de nossa consciência. Quando em pânico a pessoa nem foge nem enfrenta, mas fica paralisada e sem controle. Nesses casos, deve-se buscar a origem para conseguir agir.
Situações reais de perigo exigem discernimento, mas o medo irracional, sem causa real, deve ser enfrentado. Nosso inconsciente não diferencia fantasia de realidade. Por isso, ficar pensando em todas as vezes que não conseguiu, ou ainda, que nem adianta começar, baseando-se nas experiências anteriores negativas, sua mente irá reagir de acordo com esse pensamento, pois o medo nasce da associação que nossa mente estabelece com essas experiências, sem discernir que não ocorrerão mais. Sua mente não sabe distinguir o que é passado e presente. Realidade e fantasia. E se esse seu pensamento continua presente, sua mente irá acreditar nele como real.

Rosemeire Zago
Psicóloga

Para saber mais acesse: http://vilaequilibrio.vilamulher.com.br/materia/motivacao/40-de-onde-vem-seu-medo?.html

Ana Paula de Almada

Governados pelo Medo


Vivemos subjugados pelo medo. Medo do bug do milênio, da doença da vaca louca, de alimentos genéticamente modificados, do câncer, da violência urbana, de perdermos o emprego e de não sermos reconhecidos. Vivemos a "era dos temores".

São com estes questionamentos que Zygmunt Bauman, autor do livro Medo Líquido, instiga a reflexão sobre porque o medo se tornou um problema crônico social.

Segundo o autor, "os medos estão agora difusos, espalhados e indefinidos. Isto é o que os torna tão assustadores e de difícil eliminação. Essa característica "líquida" do medo o transforma em capital político e comercial - que os políticos e as empresas estão sempre tentados a reverter em algo lucrativo."

No livro, Bauman não aponta soluções, mas cumpre seu papel de provocador de discussões e reflexões.

Em matéria publicada em 27/01/08, no jornal O Estado de S. Paulo, Bauman explica um pouco sobre como o medo social está relacionado à sensação de insegurança que rege mercados e relações sociais. "Ninguém parece ter controle sobre os perigos invisíveis que nos ameaçam".

Na entrevista, Bauman explica como a sociedade ministra a convivência com o medo e quais os fatores que, historicamente e hoje, gerem esta "era do medo".



Um pouco mais sobre o Bauman:

Zygmunt Bauman é um dos sociólogos mais respeitados da atualidade. Com extensa produção intelectual , tem se destacado como um dos pensadores mais clarividentes do nosso tempo. Professor emérito de sociologia das universidades de Leeds e Varsóvia, Bauman tem, no Brasil, 13 livros publicados pela editora Zahar. Entre eles, os que se destacam mais são: Amor Líquido e Globalização: As Conseqüências Humanas.

Bauman desenvolveu o conceito de uma sociedade "líquida", partindo do princípio de que as certezas e a previsibilidade do futuro estão diluídas e, porque políticos e empresas tendem a lucrar com isso, não há perspectiva de que esse clima de insegurança seja sanado. "Pelo contrário, os governos e os mercados têm interesse em manter esses medos intactos e, se possível, aumentá-los."

sexta-feira

Imaginários Urbanos - Laboratório do Medo e outras Questões Contemporâneas: Projeto do Medo

Em 2008, no 13º ano de atividade do Núcleo Imagem em Movimento, professores e alunos estão envolvidos no tema A mídia e o medo da cidade.

De modo semelhante aos anos anteriores, em termos teóricos e metodológicos, o objetivo da pesquisa atual é identificar e definir questões emblemáticas do medo na cidade a partir de Zygmunt Bauman, Stuart Hall e dos Estudos culturais. Ao mesmo tempo, verificar como o medo aparece na mídia, por meio de pesquisas bibliográficas, qualitativas e quantitativas, bem como de métodos combinados de análise da narrativa.

A proposta atual segue os propósitos que norteiam o trabalho do grupo, de entender a pesquisa como elemento indispensável para a realização de projetos de Comunicação. Mais do que isso, despertar o interesse do aluno para a Ciência, dando suporte ao seu processo de aprender na prática a desenvolver pesquisas que fundamentem os seus processos produtivos.

Imaginários Urbanos - Laboratório do Medo e outras Questões Contemporâneas: Projeto do Medo

Projeto do Medo

A mídia e o medo da cidade

Como a mídia mostra o medo

Televisão

Projeto: imaginários urbanos