Ao pensar o medo na cidade, a primeira imagem é a da violência, representada por assaltos, acidentes, homicídios, suicídios. Em seguida, aquilo que permite visualizar o medo dos habitantes de uma cidade fragilizada pela violência e que procuram a proteção de seus castelos – como nos tempos medievais, quando as pontes levadiças e as muralhas eram a defesa contra o ataque inimigo, a cidade do século XXI protege-se por meio de construções de concreto; mesmo assim, é uma cidade que nao se sente menos indefesa.
Assim, os edifícios têm instalados alarmes, sensores e câmeras de vigilância 24 horas (às vezes a câmera placebo – a simulação da vigilância) e as casas, além desses recursos, são cercadas de muros altos, portões eletrificados e janelas gradeadas – é preciso afastar o invasor em potencial que, em tese, pode ser o vizinho.
Mas o ato de cercar a residência, por essência o seu espaço privado, é uma das formas que os indivíduos encontram para reagir ao medo, no mundo contemporâneo. Isso leva a uma espécie de privatização do cotidiano – é possível estudar, trabalhar, divertir-se, tudo em casa e frequentemente com um computador à frente.
Assim, ao privatizar a sua rotina, o cidadão vai deixando de viver a cidade como espaço de socialização e, com isso, uma parte do ser cidadão.
segunda-feira
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