Alguém falou que tem medo da maldade do Outro.
Partindo daí, dá pra entender que, por trás do medo da violência está o medo da maldade. Do Mal.
Medo – Violência – Mal...
Pensemos neles como signos de contemporaneidade, cuja representação pode-se encontrar no noticiário do dia a dia, na Arte ou na Literatura. Nesta, encontramos Shakespeare, que tão bem expôs a condição humana em suas peças. As tragédias, especialmente – como Otelo, Rei Lear, Hamlet e Macbeth, mostram situações de maldade, inveja, ambição...na Renascença, como no século XXI, é possível explicar o Homem pelos seus sentimentos e atos mais deploráveis.
Macbeth, um dos textos shakespearianos mais cruéis, mostra o tormento causado pela ambição, bem como o Mal representado na ausência de limites, que desemboca em violência.
Quando filmou a peça, no começo dos anos setenta, o polonês Roman Polanski foi bastante fiel ao original, criando um ambiente medieval. No filme, o sentido da violência está também expresso na idéia da ruptura de limites. Como em Shakespeare, o Macbeth de Polanski perde o limite. E Polanski não tem pudor ao usar a crueza das cabeças decepadas, como quando Macbeth é morto, evocando o espírito da Idade Média, a violência como condição de vida. A diferença é que, na Modernidade, era da civilização, a violência tem um outro sentido.
Aqui, ela é natural e sedutora. O espetáculo da violência hipnotiza, como se percebe por meio de inventos dos tempos modernos, como a televisão. Síntese de vida e a morte, a violência seduz, num espetáculo que recria a história do homem desde o começo dos tempos. Em segundos, podemos estar mortos e essa imprevisibilidade fascina e atormenta.
sábado
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