terça-feira

Medos infantis no Cinema

por Bruno Manenti e Liz Khury

Um dos principais focos ao se produzir um roteiro cinematográfico é a intenção de produzir algum tipo de sentimento no espectador. Seja o amor, o espanto ou a alegria, os filmes fazem as pessoas terem diferentes reações ao que vêem. Os filmes de terror buscam o medo e o susto de que os assiste, o “frio na barriga” seguido do alívio de não estar naquela situação. Às vezes relacionado ao fantástico (como “madrugadas dos mortos” com zumbis e “Cloverfield”, com monstros, por exemplo) ou ameaças reais (com assassinos, como em “Sexta-feira 13”).

Depois de passar anos em filmes para adultos, o medo invadiu as produções infantis. Desenhos animados que usam elementos fantásticos para causar terror em crianças tornam-se cada vez mais comuns e aclamados pela crítica.

Esta associação já existe em outros campos há vários anos. Histórias em quadrinhos, como as do personagem Penadinho, de Mauricio de Souza, apresentam monstros clássicos do horror (vampiros, fantasmas, a criatura de Frankenstein...) como figuras simpáticas em situações cômicas, o que o criador chama de “terrir”, um “terror que faz rir”. Nos Estados Unidos, As histórias para adultos dos “contos da cripta” deram origem a um desenho animado para o público infantil. Já a coleção de livros “Goosebumps”, de R. L. Stine, já era destinada ao público infantil e deu origem a uma série de TV.

No cinema, um diretor que traz esses elementos para o universo das crianças é Tim Burton. O primeiro filme infantil e primeiro longa-metragem do diretor, ainda que não tratasse do medo, foi “A grande aventura de Pee-wee” (1984). Antes disso (1982), dirigiu alguns curtas; um deles é Vincent, sobre um menino fã de Edgar Allan Poe, que já apresentava conteúdos sombrios.

Mas Burton seria reconhecido, pelos seus traços mais característicos, em 1988, com “Os fantasmas se divertem”, com o personagem Beetlejuice. O filme fez tanto sucesso que deu origem a uma série animada infantil para televisão e garantiu à Burton a direção de “Batman” e à sua continuação, “Batman Returns”. Entre os dois, ele fez “Edward mãos-de-tesoura”, mais um sucesso e início da parceria com o ator Johnny Depp.

Criou os personagens e a trama, apesar de não ter dirigido, “O Estranho Mundo de Jack” em 1993, um dos filmes mais emblemáticos de sua carreira. O personagem do título em português (o nome original do filme é “The Nightmare Before Christmas”) vive no mundo do Halloween e se apaixona pelo Natal, decidindo ajudar o Papai Noel a distribuir presentes. Pela trama, o longa animado era destinado ao público infantil, mas acabou conquistando muitos adultos também. Os produtos surgidos em torno do filme, encontrados até hoje em lojas, como camisetas, mochilas, cobertores e chaveiros, provam o sucesso de “Jack”.

Um remake de “A fantástica fábrica de chocolates” depois, com outros sucessos pelo caminho, Burton volta ao stop-motion de bonecos usado no “Estranho mundo de Jack” para contar “A noiva cadáver” (2005), uma história russa do século XIX.

Foi com as produções de Tim Burton que os estúdios perceberam o quanto poderiam ganhar explorando este lado da animação: o medo das crianças. Assim, a Disney saiu com “Mansão Mal-Assombrada” em 2003 e a Sony, com “A casa monstro” em 2006. Para 2010, Tim trará “Alice in Wonderland”, uma adaptação de “Alice no país das maravilhas” com o seu próprio visual.


Um comentário:

  1. Li este ano uma matéria com o diretor David Linch em que ele afirmava que " O mágico de Oz" foi o melhor filme de terror já criado. Realmente a perseguição, inclusive em filmes infantis, pode dar um tom de medo a qqr conto. Em todo o caso, a história da Dorothy e do cachorrinho Totó podem ser consideradas de terror?

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